quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Respeito é bom e eu gosto






Estávamos num papo interessante sobre futebol, para variar, quando recebi um chamado do quiosque o aeroporto Tom Jobim, antigo Galeão. Passava das onze da manhã e o sol derretia-me os sapatos. Entrei no carro e segui para lá e com o trânsito fluindo bem, em poucos minutos eu estava lá para atender ao chamado urgente. Para minha surpresa tratava-se de um ator muito famoso, preferido da mulherada, mas que por questões de ética e processo judicial, prefiro não divulgar tal nome. Entrou no carro e sentou-se atrás do banco do motorista e uma mulher que julgo ser sua assessora sentou-se ao seu lado. Na frente um senhor de meia idade, que pela conversa entre os três era advogado do tal artista e estavam retornando de uma audiência em São Paulo. Também não sei do que se tratava o tal processo, pois eles não entraram em detalhes a respeito e eu não sou o tipo do taxista que fica prestando atenção em demasia no que os passageiros conversam, é deseducado, anti-profissional e não faz o meu tipo.
O fato é que tive que perguntar por duas vezes qual era o destino, até que a mulher se prontificou a responder-me, pedindo que eu seguisse adiante e aguardasse novas instruções. Ela voltou-se ao ilustre artista de televisão, bastante conhecido nas novelas e questionou-o se deveriam passar no centro da cidade antes de seguirem para o bairro da Urca. E o soberbo do homem pediu-lhe que avisasse ao senhor motorista que iria direto para casa, não dirigindo qualquer palavra direta a quem lhe conduzia ao seu destino.
O sujeito podia ser bonitão, famoso, rico e até talentoso, mas o que eu não entendia era o porquê de tanta falta de educação de sua parte em demonstrar tanta antipatia por minha pessoa, já que nem o conhecia, a não ser pela televisão, onde ele aparece produzido e em falas extremamente educadas, bastante diferente do cara que estava sentado no banco traseiro do meu taxi. E está muito longe de ser.
A mulher novamente advertiu-o da necessidade de passarem no centro e ele lhe deu um corte, dando a entender que seria melhor conversar sobre tais assuntos em casa.

Um ambiente hostil pairava dentro do veículo durante todo o percurso e eu sentia vontade de chegar logo onde pretendiam descer para me ver livre de tanta soberba e indiferença que aquele sujeito transmitia. Jamais poderia imaginar que aquele cara fosse tão hostil e esnobe. Mal podia esperar para chegar em casa e contar para a Dilma, minha mulher. Ela ficaria de queixo caído e talvez nem acreditasse nesse episódio.
Chegamos na altura de botafogo e entramos para o acesso à Urca e Praia Vermelha, quando o sujeito virou-se para a mulher e pediu-lhe que avisasse ao motorista, como se eu estivesse a léguas de distância dele, que eu permanecesse à esquerda, próximo após o Instituto Benjamim Constant, pois precisava comprar jornais e a tal mulher balançou a cabeça afirmativamente e antes que pudesse repetir toda a frase dita pelo tal ator, eu adiantei-me e disse-lhe: “...senhorita, por favor, avise ao senhor aí atrás que nem que ele fosse o papa eu pararia na esquerda para não ficar sujeito a uma multa de trânsito e que se ele fosse um pouco menos deseducado, eu até retornaria ao jornaleiro, que aliás se chama Valdomiro e por acaso é muito meu amigo, e compraria o tal jornal, mas infelizmente, tudo era bem diferente e por gentileza, procurem descer com certa agilidade quando chegarmos ao destino, pois tenho que retornar ao ponto rapidamente para atender a um outro cliente, esse para Duque de Caxias, lugar onde eu como o melhor angu à baiana que já provei em toda a minha vida”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário