
Para uma tarde de terça-feira, até que o movimento não estava ruim. Por volta do horário do almoço peguei uma corrida para as paineiras, um grupo de quatro turistas e às duas já estava apanhando um casal de turistas de Goiás na porta do Copacabana Palace. Conversavam pouco, mas pude entender que eram de pessoas inteligentes e felizes. Fazendeiros do interior de Goiânia que visitavam o Rio pela primeira vez a convite de um amigo que morava no Rio. Pretendiam visitar o Cristo e depois o pão de açúcar, tirar boas fotografias e mostrá-las a uma tal de Elô, que tinha pavor de vir para o Rio, por conta dos noticiários de violência da cidade maravilhosa. O primeiro passeio foi tranquilo, a não ser pelo calor que sentiam e a quantidade de água que necessitavam ingerir com frequência, me obrigando a parar para que pudessem se abastecer. Bastante compreensível, afinal, o sol estava escaldante para um mês não tão quente como costuma ser o mês de maio, aqui no Rio. Descemos do cristo e passando pelo bairro de Santa Tereza eles ficaram maravilhados e decidiram parar para um café num bar logo na descida. Tiraram mais algumas fotos e partimos para Uca, onde deviam embarcar no famoso bondinho de acesso ao pão de açúcar, O famoso ponto turístico. Perguntaram-me educadamente se eu não gostaria de acompanhá-los, mas eu não aceitei e coloquei-me à disposição para guardá-los no carro. Algum tempo depois, talvez horas, eles retornaram completamente maravilhados e com as maçãs do rosto bastante rosadas e pediram-me que os levasse de volta para o hotel. Estavam aparentemente exaustos e tiraram os calçados dos pés para descansá-los. Fizeram um comentário positivo a respeito da cidade, pois até agora não havia sentido qualquer hostilidade ou ameaça de violência como noticiam as emissoras de TV e estavam realmente surpresos com ao Rio, a não ser pelo fato de que em poucos minutos mudariam de idéia com o maior susto de suas vidas. Era uma gritaria, na altura da Rua Princesa Isabel, gritos e discussões, alguém terrivelmente transtornado parecia obrigar-nos a parar e entregar tudo, mas tentava abaixar-me para procurar algo no fundo do carro. Talvez estivesse procurando algo, uma arma e a tensão só aumentava. O casal entreolhava-se e arregalavam os olhos, abaixavam-se e perguntavam o que estava acontecendo e com muito medo e pavor transpiravam e tremiam e eu não conseguia explicar ou pedir para que ficassem calmos, pois tudo estava sob controle. A mulher forçou a maçaneta da porta traseira e abriu com toda a força que tinha, colocando os bofes e todo o almoço para fora, coitada, estava extremamente nervosa com toda aquela situação e finalmente consegui alcançar o dito cujo. Foi questão de segundos, eu acho, mas parecia uma eternidade. Estava tocando sem parar e lembrei-me que precisava trocar o toque do meu celular e diante daquela terrível cena eu disse: "calma Dona, é só o toque do meu telefone. Um amigo me enviou na brincadeira e eu baixei, mas fica tranquila que assim que der pra estacionar eu troco..." e pensei: “Maldita a hora que eu resolvi salvar o tal toque, eles podiam ter aberto a porta do carro e se jogado de tanto desespero.”


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