Manhã de sexta-feira, sol a pino e eu parado há algumas horas no ponto quando meu supervisor passou-me uma boa corrida. Depois de um dia exaustivo que passei na quarta, finalmente começaria bem o dia e com pé direito, pois a Dona que eu precisava apanhar morava em um bairro nobre do rio de Janeiro, num condomínio de luxo no bairro Itanhangá. Calcei meu trabuco preto e quente por cima da meia, pois sempre que o movimento está baixo retiramos os sapatos a fim de descansar os pés calejados. Engoli o último pedaço da coxinha que comprei no boteco do Seu Jonas e parti em direção ao Alto da Boa Vista. Antes de alcançar a subida já encontrei um tremendo congestionamento por causa de uma batida entre um ônibus e um caminhão de lixo. Dá pra imaginar a fúria que me abateu naquele momento. O rádio me chamava o tempo todo, avisando que a mulher precisava chegar ao Aeroporto ou perderia o vôo e até pensava em cancelar a corrida. Pedi à base que avisasse que eu estava em uma situação difícil, mas faria o possível para chegar mais rápido e pedi para não esquecerem de avisar-me no caso de desistência. Até o momento em que liberaram a pista, nada mais recebi. Nenhum recado o novo contato a respeito. Resolvi contatar a base para confirmar a corrida e disseram-me que estava confirmada, para eu seguir rapidamente e foi o que fiz. Cortei vários veículos lentos, passei em um sinal vermelho, quase atropelei uma velhinha e levei uma baita multa pela alta velocidade. Mas cheguei no endereço solicitado e apenas atrasei-me em vinte e cinco minutos. Percebendo que havia algo de muito estranho no ar, estacionei na porta da residência e ouvi uma partida de motor. Pus a cabeça para fora do meu taxi e avistei uma mulher loura, muito bem arrumada, entrando no carro com um homem ao volante e um empregado que acomodava suas malas no automóvel. Buzinei e alguém resolveu vir até o portão me dar alguma satisfação. O cara simplesmente falou que não precisava mais do taxi, pois a senhora não contava com o atraso e eu expliquei que havia enfrentado um enorme trânsito por conta de um acidente e o rapaz deu de ombros, como se não se importasse. Naquele momento meus nervos ferveram e eu mal conseguia enxergar um palmo à frente. Entrei no carro, dei partida no motor e embiquei na entrada da garagem. Puxei o freio de mão, desliguei o motor e saí do veículo. A mulher também saiu do velho Mitsubishi branco e gritou para que eu saísse da frente ou perderia o avião. Respondi que estava ali para uma corrida e somente sairia com um passageiro para o destino do Aeroporto Internacional Tom Jobim. A mulher irritou-se e bateu a porta com força, causando um barulho que estremeceu o chão e o homem que estava ao volante pegou o celular e parecia ligar para alguém. Minha vontade era ter um tanque no lugar de um carro e derrubar aquele portão para me acertar com ela, mas no fim eu levei a pior. A mulher certamente perdeu seu vôo, mas o que aconteceu comigo foi pior, porque quinze minutos depois de homem dar o telefonema, logo depois da mulher esbravejar e acenar para que eu saísse de seu caminho. Um carro de Polícia chegou ao local, dando-me voz de prisão e eu fui algemado, mas satisfeito de ter me vingado daquela coroa arrogante e esnobe. O duro foi aguentar os gritos da patroa, ao chegar em casa depois da Cooperativa pagar a fiança e o Delegado entregar-me meus pertences.


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